Esta vida secreta

Queria saber escrever, palavras apaixonandas, abrasivas, extasiantes, mas nada me sai. Tal qual peça de museu, jazo aqui, indiferente aos olhares que perscutam o que os rodeia com desdém.

Queria sentir, um só momento de êxtase, de perfundo delírio, de efusão. Um minuto de sigular e intensa, inesquecível ternura, na vasta amplidão do sentimento.

Queria ser enlaçada neste mundo, ser parte intrínseca do carreiro monótono da vida quotidiana. Queria pertencer a algo mais do que ao simples vácuo turtuoso.

Queria amar, unir, enlaçar, extravasar os deleites e os contrapontos da minha sombra que se projecta por este mundo que a todos nos amaldiçoa.

Queria partilhar todos os pontos de vista, escutar todas as opiniões, debater todas as hipotéticas ou não qustões. Discutir preconceitos e pegar de caras a diversividade. Erradicar os tabus da minha mente.

Queria ser livre, disponível, ausente e presente num só estado de espírito, compreendida e preserverante na minha incessante caminhada.

Muito desejamos nós, trabalhamos como se não houvesse Deus que por nós vela, e, no entanto, confiamos em Desu como se todas as tarefas desempenhasse.

Esta vida secreta delinea-se no fumo do meu pensamento aguardando que o ideal se torne palpável.

06.07.2004       [0]       Escritos
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