Depois de percorrer a rua entre a neblina noctura, pesada e que torna a respiração difícil, alcança finalmente a porta desejada, a do seu prédio, situada numa rua inclinada, estreita. A porta número 3.
Encerra a porta, pesada com um som estridente à quinta tentativa devido ao desgaste da fechadura antiga!
Sobe o lance de escadas a correr, entra no elevador a cair da tripeça, com o seu aspecto de jaula de animais ferozes que se agita ao subir os quatro andares ao som de um vento inexistente. Fecha as duas portas de metal com a força de quem deseja chegar a casa desde que de manhã saiu!
Abre a porta, de fininho, sem fazer barulho. Despe o casaco. Tira os sapatos. Vai pé-ante-pé até ao quarto, como o tigre persegue uma presa. Despe-se à pressa e enrosca-se na cama, junto à sua amada, cujo cabelo cheira a alfazema e o corpo a alecrim selvagem.