Tenho-a à minha frente. Observo-a. Consigo imaginá-la como uma rapariga de faces cheias e de sorriso sempre presente nos lábios; um tanto ao quanto roliça, facto que contribui para o seu andar desengonçado, mas cheio da sua graça.
A infância e o início da adolescência devem ter sido felizes. Anos de inocência repartidos entre as estadas no colégio interno e o carinho maternal na casa de proveniência.
A sua vida era passada entre os ponteiros das partidas que pregava com as colegas às professoras e os risos dos irmãos.
Perto da maioridade, algo de terrível teve lugar, sua mãe, fonte de todo o seu amor e em cujo regaço repousava sempre que podia, debatendo os pontos de tricot e arraiolos, faleceu.
O céu abateu-se. A sua alma fechou-se ao amor, tirando um, o da constante dádiva ao ente superior, seu Senhor, dedicou-se leigamente a Deus, a Jesus e ao Espírito Santo. O seu amor, desde então, repousa só na Divina Trindade.