Estreia hoje, Angels in America uma das melhores mini-séries dos últimos tempos!
"O mal e o bem progridem ao mesmo tempo. São como duas forças paralelas que se prolongam animadas d'um movimento igual em velocidade. O reino de Deus aumenta, junto do reino de Satã que se dilata. O dia e a noite crescem sobre a terra. A luz é cada vez mais clara e a treva cada vez mais negra."
"Para o homem só há três acontecimentos: nascer, viver e morrer. Não tem consciência de nascer, sofre por morrer e esquece-se de viver."
Eterno ciclo!
Os meus olhos estão tão abertos como os desta coruja! Deve-se ao facto de já não distinguir a noite do dia, ou melhor, por já não saber qual dos dois habito!
O meu dia hoje começou bem (10 de Maio) após 5 tentativas frustradas da minha irmã a tentar levantar-me, pois sabia que tinha uma frequência (diga-se de passagem que tentou todos os truques mais baixos, desde o puxar os cobertores, gritar, desviar as cortinas, por música aos altos berros, esfregar-me o puto na cara, e como não podia deixar de ser a gritaria; só faltou mesmo o copo de água em cima). O pior de tudo é que eu tinha-me deitado lá para as 7 (isto foi desde o meio-dia até à 1! Eu tinha frequência às duas!
Depois de a expulsar do quarto, esbaforida! Berrei tanto que acho que devo ter deslocado uma corda vocal, ou pelo menos dado um jeito, pois fiquei à rasca durante as horas seguintes como se tivesse rouca havia uma semana!
Lá acabei por me levantar, tomar um banho rápido e voar para a universidade! Uma vez que não sabia qual era a sala dei um pulo pelo placard e qual não é o meu espanto quando vejo pessoas da minha turma alegremente na converseta (diga-se de passagem que eu já ia meia-hora atrasada, mas também não muito preocupada).
Afinal, o que sucedeu, a frequência foi adiada para hoje (dia 11) e para variar, em vez de estudar, fiz tudo menos isso! de tarde tentei recuperar o sono perdido durante a noite e à noite tentei recuperar a televisão não vista durante o dia (nem já sei porque me dou ao trabalho, uma vez que só passam porcaria, ideal para vegetar).
E com isto, vou-me deitar, para ficar a dormir de manhã, ou não (não sei o que o futuro me reserva!) para estudar à hora de almoço para poder ir fazer a desgraçada da frequência à tarde!
Isto só a mim...!
NB: O puto é o meu sobrinho! A minha irmã tem a capacidade extrama de me irritar (especialmente se passamosmuito tempo juntas, deve-se ao facto de termos os feitios muito parecidos, só pode). Esta minha irmã, que já está casada, logo, já não vive cá em casa vem cá todos os dias ( e não digo que iso seja mau) mas o que é realmente enervante é o facto de ela chegar cá e em primeiro lugar pôr e dispôr, em segundo o de depositar o puto todos os dias (e geralmente pedir-me para tomar conta dele ou quando estou com uma directa em cima, ou estou de ressaca ou tenho uma frequência ou trabalho para apresentar/entregar no dia a seguir), e em terceiro e último, o espantoso dom que ela possue de me acordar, quer pela maneira como o faz, quer por o fazer especialmente eu não lhe-o pedi!!!
Avisa-se a todos os zoófilos que este blog e as muitas directas de estudos são potenciados por Coca-Cola* e Cigarros Português!!!
* Sim, faço publicidade, e não, não me pagam; além do mais, não gosto de Pepsi e muito menos de Spur Cola.
...não vou a lado nenhum! Estou há 5 horas no escritório (cá em casa - ainda não trabalho), estou farta de navegar na internet, mas estudar que é bom nada!
Tenho uma frequência amanhã (ou melhor, daqui a 8 horas) de uma cadeira que tenho mesmo que passar, mas em vez de estar a ler a merda do livro ponho-me a navegar na net (a ver sites de filmes)! Só eu!
Bem, vamos lá ler o livro!!! E tentar não adormecer!
[E como senão bastasse tudo isto, esta situação caricata é acompanhada pela seguinte banda sonora - fadunchos da Amália]
O meu atraso é justificável! Há já alguns anos que eu deixei de celebrar este dia (há 9, para ser mais exacta).
Faz este ano, em Novembro, dez anos que a minha mãe morreu, na altura tinha 13 anos! Como é natural, e não o omito, sofri e ainda sofro com a sua ausência; apesar de com o passar dos anos a ausência torna-se uma menos pesada, enfim, uma habitué do meu dia-a-dia!
Aprendi a conviver com esta ausência, e hoje, as memória que sobrevivem acodem-me cada vez menos, de vez em quando, discorrem com uma intensidade que me petrifica durante dias! A alma abate-se, o espírito abala-se e assim fico prostrada, morta-viva com as lembranças de uma infância tida como feliz!
Apesar de já não celebrar este dia com a minha mãe, todos os anos presenteio a minha avó com aquele beijinho especial, poque afinal de contas, e como ela tanto gosta de dizer, uma avó é mãe duas vezes!
No entanto, deixo o seguinte poema, que muito propriamente intitula-se
A minha mãe
Já partiste d'esta vida
Para nunca mais voltar!
Nunca mais te irei beijar
Nem verei, oh mãe querida!
O teu meigo e triste olhar!
O teu olhar macerado,
Oh minha doce visão!
Sinto-o no meu coração,
No meu peito amargurado
Por esta infinda paixão!
Jamais teu rosto esqueci,
Branco e triste como os lírios
Quando findos teus martírios
Entre lágrimas o vi,
Á luz incerta dos cirios!
. . .
Nem eu sabia a ventura
Que torna a vida doirada,
Quando da mãe adorada
Existe ainda a ternura,
Que é como lêda alvorada!
Tão pungente é a saudade
Que a vida desbarata,
Que é fronte fios de prata
Vêm marcar a crueldade,
Da saudade que me mata.
Perder esse amor ideal
Foi p'ra mim tal desventura,
Que minha própria ventura,
Com esse amor sem igual,
Foi p'ra mesma sepultura!
Por isso, eu vou encontrar,
Na sombra do cemitério,
Para o pesar, refrigerio
Na morbidez singular
Dos meus sonhos de mistério...
Espalho, então, docemente,
Mágoas que levo comigo,
E é, ali, no seu jazigo,
Que a ela conto, somente,
As penas que a ninguém digo.
Ali, num longo sonhar,
Eu vejo-me encanecida,
A mocidade perdida
De tanto e tanto chorar,
A perda da sua vida!
Mas se os cabelo prateados
Encosto ao seu ataúde,
Ficam-me logo doirados,
Tão belos e perfurmados,
Como eram na juventude!
É que inda depois de morta,
A sua imagem bendita,
Numa ternura infinita,
Que suaviza e conforta,
Vem beijar minha alma aflita!
E sinto então a esperança
Embalando-me louçã,
Quase doce, tão sã,
Como a sentia em criança,
Quando dizia - Mamã!...
Que os anos passem... embora!
O pensamento sem norte,
Quanto mais triste é a sorte,
Mais volta aos dias de outrora,
Mesmo tão perto da morte!
Recordações vêm à mente,
Recordações do passaso...
Daquele seio adorado,
Do seu conforto tão quente,
E hoje p'ra sempre gelado!...
E as flores que então orvalho
De lágrimas e de beijos,
São das esperanças lampejos,
Flores d'alma, que ali espalho,
Dos meus magoados desejos.
. . .
Adeus, mãe! Nome Adorado,
Que ouço sempre, sem cessar...
No vago rumorejar,
Do cipreste desoldao,
Que m'o está a soluçar!
Somho meu que se evapora,
Adeus, suave ilusão!
Presa no meu coração,
Fica a saudade que chora
Esta eterna solidão!
Se os olhos ergo saudosa,
E através de etéreos véus,
Procuro ver-te nos Céus,
É para à tua alma piedosa
Dizer ainda um Adeus!
Mas qantos suspiros e ais
Um Adeus não faz soltar!
Não mais o irei soluçar,
Porque Adeus é - "nunca mais!"
E eu inda te hei-de encontrar!...
Mãe! Da mansão infinita,
Onde a luz divina brilha,
Comigo essa luz partilha,
Minha mãezinha bemdita,
Abençoando a tua filha!
In Glicínias de Luthgarda Guimarães de Caires