Doces prazeres veranis

A minha estadia, embora curta, no Algarve este fim-de-semana foi agradável, muito agradável. Fez-me bem sair de Lisboa (esta cidade a que só quero bem).

Fui pela primeira vez à praia este ano e ao banho de mar. O mar, estava simplesmente delicioso. Repousei!

Já não ia ao Algarve desde o ano passado, não mudou muito. O pôr-do-sol continua lindo, o vento insiste a levantar-se cedo demais, o sotaque é o mesmo.

Costumo ir para o Barlavento desde que nasci, nomeadamente para Alvor! Por poucas vezes me apanharam no Sotavento!

Desde pequena que os meus pais me "abandonavam", assim como às minhas irmãs às mãos dos meus avôs e pelo Reino do Algarve costumavamos passar os meses das férias grandes. Muitas lembranças me assomem à mente desses tempos. Eram tempos felizes, na época faziamos praia de manhã, retornavamos a casa à hora de almoço, para depois fazer a sesta romando à praia mais uma vez depois da hora de maior calor onde nos demoravamos até vermos o raio verde (se bem me recordo, o raio verde, é um raio que se pode ver quando o sol se põem e que predestina bom tempo para o dia seguinte). À noite íamos dar uma volta, comer um gelado e depois, xixi cama!

O verão era o tempo que tínhamos para passar tempo de qualidade em família, Hoje em dia, e desde já alguns anos, isso não acontece. Cada um vai nesta ou naquela semana, e o tempo passado junto por vezes limita-se a um dia. Já nem no verão conseguimos estar juntos, em família, e desfrutar de um bom laissez faire. Por isso, já alguns anos que me habituei a fazer praia sozinha, pois amigos por aquelas bandas também não são muitos!

Costumo dizer que quando estou no Algarve faço férias de velho, isto é, não vou sair todas as noites e não fico alcóolicamente bem disposta (feliz expressão utilizada pelo meu pai, pois segundo o que ele diz, uma senhora nunca esté bêbeda, mas sim alcóolicamente bem disposta) e também não vou para a praia às seis da tarde, verdade seja dita, também não vou às oito da manhã. Tenho o meu próprio ritmo! Cada compasso é como um movimento sagrado para alcançar umas férias reparadoras.

Gosto de acordar quando o corpo desperta, geralmente é entre o meio-dia e as duas da tarde, tomo o pequeno-almoço, sendo a única altura do ano em que o faço assim que acordo, compro o jornal, tomo um café lendo o jornal, vou para a praia, onde retomo a leitura do jornal ou de um livro. Banho-me, passeio, durmo e pela praia me quedo até já não puder aturar o vento que por esta altura já faz horas se levantou e fustiga o meu corpo com inúmeros e minúsculos grãos de areia. A noite é dedicada à conversa, aos jogos de cartas, ao cinema, a uns copos (raramente a mais) ou a um passeio à beira rio ou ria!

Tenho saudades dos verões passados em família, do stress causado pela quantidade de sandes a serem feitas para levar para a praia, da calma ao fim da tarde enquanto se come um gelado ou bebe uma imperial no café da praia.

No entanto, este ano, pela primeira vez, em muitos anos, coloca-se a possibilidade a possibilidade de voltar a ter essas férias, no entanto, devo ser sincera e confessar que apesar das saudades, esta perspectiva amedronta-me um pouco.

21.07.2004       [0]       Particularidades

Viva la Playa...

Este fim-de-semana não vou postar, pois vou para a Praia, mas quando voltar prometo estar mais activa! Até lá, Bons dias!

16.07.2004       [1]       Particularidades

Uma imagem da Manif

Pois é, não percebi muito bem o quye reivindicavam os manifestantes, somente percebi que era organizada pela CGTP, pois ouvia-se uma voz a gritar: "CGTP" e as outras respondiam "Unidade Sindical", outras palvras de ordem clássicas eram "Trabalho Sim, desemprego Não".

Isto tudo para dizer, que de certa forma já tinha saudades de ter manifs à porta de casa, mas por outro lado, é tão bom estar em paz sem ouvir gritos e palavras de ordem regurgitadas pela milionésima vez, via megafone!

Aqui fica uma bela foto da manifestação!

Manif

16.07.2004       [0]       Sei lá, apeteceu-me

Lá fora oiço...

... palavras de ordem!

Então não é que tá a haver uma manif e ninguém me disse nada!

15.07.2004       [0]       Sei lá, apeteceu-me

Esta vida secreta

Queria saber escrever, palavras apaixonandas, abrasivas, extasiantes, mas nada me sai. Tal qual peça de museu, jazo aqui, indiferente aos olhares que perscutam o que os rodeia com desdém.

Queria sentir, um só momento de êxtase, de perfundo delírio, de efusão. Um minuto de sigular e intensa, inesquecível ternura, na vasta amplidão do sentimento.

Queria ser enlaçada neste mundo, ser parte intrínseca do carreiro monótono da vida quotidiana. Queria pertencer a algo mais do que ao simples vácuo turtuoso.

Queria amar, unir, enlaçar, extravasar os deleites e os contrapontos da minha sombra que se projecta por este mundo que a todos nos amaldiçoa.

Queria partilhar todos os pontos de vista, escutar todas as opiniões, debater todas as hipotéticas ou não qustões. Discutir preconceitos e pegar de caras a diversividade. Erradicar os tabus da minha mente.

Queria ser livre, disponível, ausente e presente num só estado de espírito, compreendida e preserverante na minha incessante caminhada.

Muito desejamos nós, trabalhamos como se não houvesse Deus que por nós vela, e, no entanto, confiamos em Desu como se todas as tarefas desempenhasse.

Esta vida secreta delinea-se no fumo do meu pensamento aguardando que o ideal se torne palpável.

06.07.2004       [0]       Escritos

Post - Scriptum

         Agora Regresso à tua claridade.
         Reconheço o teu corpo, arquitectura
         duma cidade ardente, povoada,
         flutuando sem limites na espessura
         da noite cheirando a madrugada.

         Acordaste na aurora -a bica rumorosa
         de peixes e de açucenas;
         pensativa rosa abrindo nas areias,
         alta e branca, branca apenas,
         e mar ao fundo, o mar das minhas veias.

         Estás de pé nos meus versos e no trigo
         ainda quente dos beijos que te dei;
         tão jovem!, e mais que jovem, sém mágoa!,
         como no tempo e que tinha medo
         que te afdogasses numa gota de água.

                  in As Palavras Interditas de Eugénio de Andrade

05.07.2004       [0]       Poesia


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