Quem fez de tua carola
a bôca que não responde
e se verga à brisa e corta
nosso espanto e nossa fome?
Qual a fonte que te banha,
que não mana, nem se esconde
entre as ramas e na fronte
os cabelos nos derrama?
De que és feita, de que asa
sem inércia e vôo, ausente,
mas que embalam, nas sacadas,
os leques? O rio que mente,
que oculta seu curso e praias,
teu segrêdo também cala.
Que escondes, ó flor? Desmaia
em nosso olhar tua côr
de ar sem céu, sem perfume,
sôpro que morre na flauta,
cornamusa muda, ovelha
sem lã, aprisco e pastor.
Por entre a mão frágil, fina,
que dobra a haste sem trama
vegetal, que não te liga
nem à terra, nem ao drama
do meu sonho, ó inexistente
que em pura beleza existes,
porque foges? De que chama
nasce e morre o breve ausente?
Vences a sombra... A lembrança,
ó lânguido quartzo, ó nada,
mentira de vergel mansa,
é uma rêde imaculada,
pois morres sem ver os dias
no teu exílio sem tempo,
sem que recebas a herança
dos jarros das madrugadas.
Ó vertigem, claro ente
de um paraíso feroz,
sal e carne dessas ondas
que as tarrafas nunca prendem,
que raízes tens na tarde
dividida pelo sol
e o seu prenúncio lunar?
Porque ficas, puro e só,
cenaturo de flor e ar,
que inventas a nostalgia
de ser eterno, não sendo
martírio de um raro olhar?
Passavam trinta e sete minutos das sete da manhã. O despertador tocava desalmadamente. Na cama ela dormia, calma e placidamente como se de uma criança se tratasse.
A porta abriu-se de repente, a sua irmã entra ensonada, desliga o maldito aparelho que só faz barulho e retornou ao seu leito para mais um pouco de repouso.
Nesse dia ela levantou-se mais perto do pôr-do-sol do que do nascer. Acordou leve, repousada e conscientemente irresponsável.
Fez-lhe bem dormir, o sono foi benéfico, um verdadeiro tónico de esquecimento. Agora sim, sentia-se preparada para encarar a vida de frente.
Tenho-a à minha frente. Observo-a. Consigo imaginá-la como uma rapariga de faces cheias e de sorriso sempre presente nos lábios; um tanto ao quanto roliça, facto que contribui para o seu andar desengonçado, mas cheio da sua graça.
A infância e o início da adolescência devem ter sido felizes. Anos de inocência repartidos entre as estadas no colégio interno e o carinho maternal na casa de proveniência.
A sua vida era passada entre os ponteiros das partidas que pregava com as colegas às professoras e os risos dos irmãos.
Perto da maioridade, algo de terrível teve lugar, sua mãe, fonte de todo o seu amor e em cujo regaço repousava sempre que podia, debatendo os pontos de tricot e arraiolos, faleceu.
O céu abateu-se. A sua alma fechou-se ao amor, tirando um, o da constante dádiva ao ente superior, seu Senhor, dedicou-se leigamente a Deus, a Jesus e ao Espírito Santo. O seu amor, desde então, repousa só na Divina Trindade.
There's a ghost on the horizon
When I go to bed
How can I fall asleep at night
How will I rest my head
Oh I'm scared of the middle place
Between light and nowhere
I don't want to be the one
Left in there, left in there
Nunca o verão se demorara
assim nos lábios
e na água
- como podíamos morrer,
tão próximos
e nus e inocentes?
O Festival de Paredes de Coura está ao rubro, para já estão confirmados os seguintes artistas: Kaiser Chiefs, Pixies, The Arcade Fire, The Roots, !!!, Hot Hot Heat, Nick Cave & The Bad Seeds e Juliette and the Licks.
EU QUERO IR!!!
{20} nitin sawhney @ coliseu dos recreios
{20} perry blake @ santiago alquimista
{21} jack johnson @ coliseu dos recreios
{25} quinteto tati @ forum lisboa
{30} hood @ zdb
{31} antony & the johnsons @ aula magna
Insónias querem-se esquecer!
Sonhos agradáveis procuram-se!
Refree - Nones

A Descobrir: Les Soldats Perdues, Padres e Nones e El Quarto Deseo
... interregno desesperado.
O livro que estava a ler, já o acabei. Agora aguardo a vinda do próximo livro. Nunca sei qual será, de um momento para o outro pego num livro e começo a ler, no entanto, enquanto isso não acontece é com verdadeira angústia que passo os dias e aguardo folhear as primeiras páginas e embrenhar-me numa nova história.
Aceitam-se sugestões de livros, esmpréstimos também...
Ontem foi dia da espiga. Como nos últimos quatro anos, lá comprei eu o ramo à entrada do metro e passei com ele todo o dia na faculdade (os meus colegas já acham que deve é uma mania minha, um dia do ano andar com uma ramo atrás).
O ramo que comprei tinha tudo, o pão, a prata e o ouro, o vinho e o azeite. Só não vinha com amor, mas isso é algo que aparece. Estando a casa preparada para a abundância durante o próximo ano, só espero que apareça o ramo de espiga para o meu coração.