Está quase ai, a 76ª Feira do Livro de Lisboa! Que saudades tenho de anda pelas avenidas do parque Eduardo VII à caça de livros. mas está quase, quase.
No outro dia, em conversa com um amigo meu, ele propôs-me fazer uma troca de livros, eu disse que eventualmente o fariamos.
Hoje, dei por mim a passear pelas ruas de uma livraria a ver que livro lhe haveria de dar e para ser sincera, não consegui a char nenhum. Tenho de pensar melhor no assunto, mas é realmente difícil quando nos pedem um livro, pois não é um livro qualquer, mas sim um livro que tenhamos gostado e que de certa forma possa abrir um pouco o nosso mundo à outra pessoa. É uma tarefa difícil, mas não impossível.
Quando descobrir que livro lhe darei, podeis ficar descansados que eu aviso, ou talvez não!
... interregno desesperado.
O livro que estava a ler, já o acabei. Agora aguardo a vinda do próximo livro. Nunca sei qual será, de um momento para o outro pego num livro e começo a ler, no entanto, enquanto isso não acontece é com verdadeira angústia que passo os dias e aguardo folhear as primeiras páginas e embrenhar-me numa nova história.
Aceitam-se sugestões de livros, esmpréstimos também...
O último livro que li, ou melhor, devorei, foi Fica Comigo Esta Noite da Inês Pedrosa*. Este foi o tal livro comprado no hipermercado, como escrevi num post.
Não costumo ser uma assídua leitora de autores portugueses, e muito menos contemporâneos; não sei muito bem o porquê desta minha não-leitura, mas que o é um facto, isso é o.
Quanto ao livro em questão, gostei. Trata-se de um livro de contos, são no total 12, uns conseguiram tocar-me mais do que outros. Quanto à escrita propriamente dita, é fascinante. Existem frases que são de uma verdade simplista, mas não por isso, menos verdadeiras. Devo confessar, no entanto, que não gostei da narração na 1ª pessoa, uma constante em quase todos, ou mesmo todos os contos.
Aqui ficam algumas das frases que mais apreciei:
Vejo-te mas não te conheço ainda, quero conhecer-te mas não sei que palavras inventar para te puxar para a minha vida.
Junto de ti descobri, de repente, a alegria que trazia escondida numa cave no coração. Deixei de ter caves e sotãos dentro de mim, corredores escuros onde o vento do medo uivava. Nunca mais fui assombrado pelas roucas marés da infância.
Todo o amor é uma prisão, minha querida, uma prisão inventada por nós contra a escancarada brutalidade da vida.
A tua ideia de amor é essa - a instrução para a sobrevivência.
A vida não pode ser clandestina que o seja ao menos o amor.
Não me diga que a beleza está nos olhos de quem a vês, porque não é verdade. A beleza está é no coração de quem a sente.
Os homens presidem à morte como as mulheres presidem à vida - mas a morte escapa-lhes por entre os dedos, já não se trata de um coelho, um troféu, um inimigo. A morte escapa-lhes, e eles adquirem a transparente fragilidade das mulheers que se habituaram a ver os filhos partir, esquecendo-as a cada passo.
Antes da enxurrada que desregulou o relógio da morte, era nos dedos que o tempo endurecia, devagar, ponto a ponto, sob o fio de uma agulha ou de uma faca brilhando de ciúmes no meio da noite. O tempo tecia-se de juras interrompidas, traições anunciadas, matérias arrefecidas de amor e solidão. As mulheres tratavam de remendar o tempo, cumprindo promessas, trocando segredos, matando animais, convocando as santas. Nasciam já feitas. Os homens começavam meninos e depois rapazes. Preisavam de ritos, precisavam de maracas que os inscrevessem no tempo, que os recortassem da paisagem. Marcas que lhes concedessem a ilusão do domínio, a maior e a mais masculina das ilusões. Antes da enxurrada, os homens faziam-se pela força, as mulheres sentiam-se pela beleza.
Há no bem uma força contínua, uma música inesquecível que permanece para lá da fúria ruidosa do mal.
*PEDROSA, Inês; Fica Comigo Esta Noite; Lisboa: Publicações Dom Quixote, 3ª Edição, 2003.
A mulher é, de todas as criaturas, a mais perfeita. Sendo a última a sair das mãos que fizeram os mundos, deve exprimir, mais puramente do que nenhuma outra, o pensamento divino. Por isso mesmo ela não foi, como o homem, modelada no granito primordial transformado em argila mole nos dedos de Deus; não. Tirada dos flancos do homem, matéria branda e dúctil, é uma criação transitória entre o homem e o anjo. É por isso que a vemos tão forte como o homem e tão delicadamente inteligente, pelo sentimento, como o anjo. Não seria necessário aliar nela estas duas naturezas para lhe confiar a missão de trazer sempre a espécie na sua alma? Um filho, para ela, não é toda a humanidade?
in Eugénia Grandet de Balzac
Dia 23 de Abril, ou seja, na passada sexta-feira celebrou-se mais uma vez o Dia Mundial do Livro e dos Direitos Autores. Por todo o país se realzaram inúmeras iniciativas. Em Lisboa as pessoas puderam disfrutar de leitura (em alta voz) nos autocarros! Em muitos países houve encontro de bookcrossers (membros do bookcrossing.com - uma comunidade mundial de leitores que partilham livros) e Portugal não foi excepção, tento-se realizados uns em Lisboa, Porto e Braga.
Por se falar em livros é também bom ficar a saber que a Feira do Livro de Lisboa deste ano foi adiantada, abrindo as portas a 21 de Maio e com o encerramento para dia 6 de Junho. Para mais informções podem sempre consultar o site da Feira. Uma das razões pela qual a Feira foi antecipada este ano terá sido, como é óbvio, o Euro 2004, sendo que assim, os bifes poderão disfrutar melhor o Parque Eduardo VII!!! Sinceramente!!!
Quando na minha mente deliniei escrever este post pensei em fazer uma pequena referência a livros que ao longo da vida me marcaram, talvez se os lesse hoje não teriam tanta inportância, ou não me marcaria tanto, mas a verdade é que na altura em que osli marcaram-me!
Aqui estão eles:
Se Isto é um Homem de Primo Levi - Muito sinceramente, ainda não acabei de ler este, mas achei que o deveria referir, pela sua densidão ou pelo sufoco que nos faz a cada página que viramos! Uma obra brilhante que faz com que realmente interroguemos a nossa condição Humana!
As Minas de Salomão de Eça de Queiroz - Pela maravilhosa descrição de África!
O Espírito das Leis de Montesquieu - Porque tem muita razão em muitas das coisas que diz!
Os Três Mosqueteiros | Vinte Anos Depois | O Visconde de Bragelonne de Alexandre Dumas - Porque sempre gostei da hstória e porque o original é sempre melhor do que as muitas adaptações ao cinema ou à televisão, mesmo quando na versão infantil que me entretia todas as manhã da minha infância!
Animal Farm de George Orwell - Apesar de ser um livro pequeno, não o conseguir posar nem por um momento! Comovente pelas brilhantes metáforas!
Fiora, a Florentina de Juliette Benzoni - Porque acabei de ler o último volume (é uma quadrologia) à hora exacta em que o meu 1º e único (até à data) nasceu! Para além de ser uma história absolutamente apaixonante!
Existem muitos mais, não os poderia enumerar a todos, mas como deve dar para perceber só louca por romance históricos, confesso, é um vício!
Como atributo de santos (Clemente de Roma, Nicolau - patrono dos marinheiros, Plácido, João, Nepomuceno, entre outros), a âncora é igualmente utilizada como na arte heráldica, na qual ela determina em especial cidades portuárias.
O poeta barroco W. F. v. Hohberg (1675) escreveu: "Quando tormenta futura um marinheiro percebe, lança a âncora e se amarra nela. Portanto, quanfdo uma alma se fortalece no consolo divino, a cruz, nem aflição, nem medo podem movê-la".