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Esta noite vaguei pelas ruas da minha casa como uma alma penad à procura do sono perdido.

Não o dei por achado, até qu enfim, ele me encontrou. Repouso agora na doçura atormentada do dormir só e pouco.

Amanhã a insónia não voltará. Não quero que retorne. Assim o espero!

01.12.2005       [2]       Escritos

Tónico de Esquecimento

Passavam trinta e sete minutos das sete da manhã. O despertador tocava desalmadamente. Na cama ela dormia, calma e placidamente como se de uma criança se tratasse.
A porta abriu-se de repente, a sua irmã entra ensonada, desliga o maldito aparelho que só faz barulho e retornou ao seu leito para mais um pouco de repouso.
Nesse dia ela levantou-se mais perto do pôr-do-sol do que do nascer. Acordou leve, repousada e conscientemente irresponsável.
Fez-lhe bem dormir, o sono foi benéfico, um verdadeiro tónico de esquecimento. Agora sim, sentia-se preparada para encarar a vida de frente.

15.05.2005       [0]       Escritos

Divina Trindade

Tenho-a à minha frente. Observo-a. Consigo imaginá-la como uma rapariga de faces cheias e de sorriso sempre presente nos lábios; um tanto ao quanto roliça, facto que contribui para o seu andar desengonçado, mas cheio da sua graça.
A infância e o início da adolescência devem ter sido felizes. Anos de inocência repartidos entre as estadas no colégio interno e o carinho maternal na casa de proveniência.
A sua vida era passada entre os ponteiros das partidas que pregava com as colegas às professoras e os risos dos irmãos.
Perto da maioridade, algo de terrível teve lugar, sua mãe, fonte de todo o seu amor e em cujo regaço repousava sempre que podia, debatendo os pontos de tricot e arraiolos, faleceu.
O céu abateu-se. A sua alma fechou-se ao amor, tirando um, o da constante dádiva ao ente superior, seu Senhor, dedicou-se leigamente a Deus, a Jesus e ao Espírito Santo. O seu amor, desde então, repousa só na Divina Trindade.

15.05.2005       [0]       Escritos

Uma chegada a casa...

Depois de percorrer a rua entre a neblina noctura, pesada e que torna a respiração difícil, alcança finalmente a porta desejada, a do seu prédio, situada numa rua inclinada, estreita. A porta número 3.

Encerra a porta, pesada com um som estridente à quinta tentativa devido ao desgaste da fechadura antiga!

Sobe o lance de escadas a correr, entra no elevador a cair da tripeça, com o seu aspecto de jaula de animais ferozes que se agita ao subir os quatro andares ao som de um vento inexistente. Fecha as duas portas de metal com a força de quem deseja chegar a casa desde que de manhã saiu!

Abre a porta, de fininho, sem fazer barulho. Despe o casaco. Tira os sapatos. Vai pé-ante-pé até ao quarto, como o tigre persegue uma presa. Despe-se à pressa e enrosca-se na cama, junto à sua amada, cujo cabelo cheira a alfazema e o corpo a alecrim selvagem.

23.11.2004       [0]       Escritos

Esta vida secreta

Queria saber escrever, palavras apaixonandas, abrasivas, extasiantes, mas nada me sai. Tal qual peça de museu, jazo aqui, indiferente aos olhares que perscutam o que os rodeia com desdém.

Queria sentir, um só momento de êxtase, de perfundo delírio, de efusão. Um minuto de sigular e intensa, inesquecível ternura, na vasta amplidão do sentimento.

Queria ser enlaçada neste mundo, ser parte intrínseca do carreiro monótono da vida quotidiana. Queria pertencer a algo mais do que ao simples vácuo turtuoso.

Queria amar, unir, enlaçar, extravasar os deleites e os contrapontos da minha sombra que se projecta por este mundo que a todos nos amaldiçoa.

Queria partilhar todos os pontos de vista, escutar todas as opiniões, debater todas as hipotéticas ou não qustões. Discutir preconceitos e pegar de caras a diversividade. Erradicar os tabus da minha mente.

Queria ser livre, disponível, ausente e presente num só estado de espírito, compreendida e preserverante na minha incessante caminhada.

Muito desejamos nós, trabalhamos como se não houvesse Deus que por nós vela, e, no entanto, confiamos em Desu como se todas as tarefas desempenhasse.

Esta vida secreta delinea-se no fumo do meu pensamento aguardando que o ideal se torne palpável.

06.07.2004       [0]       Escritos

Santos Populares

Eu sou uma frequentadora assídua dos santos populares! Ele é ver-me todas as santas noites de 12 de Junho percorrer a Avenida da Liberdade pulando para ver as marchas passarem, subir até ao Castelo, passando nas várias tasquinhas, aviando o que quer que contenha alcoól [dando preferência ao produto nacional, como é óbvio] , seguindo o meu caminho, passando pelas Portas do Sol até que chego ao destino para jantar, ali perto da Rua das Escolas Gerais. E depois é só comer sardinhas, entremeada, beber sangria ou imperiais, deglutir caracóis, enfardando salada de alface, tomate e cebola.

É uma noite pela quel eu anseio todo o ano, infelizmente, este ano, não com tanto desejo. Para além do facto de que parece que todos os diabinhos e alminhas vêem para a rua nesta noite, este ano temos um grande evento desportivo a iniciar nesse mesmo dia, apesar de não haver nenhum jogo em Lisboa nesse dia, há um no dia a seguir, e imaginem lá quem joga, ele é o derby meus amigos, França - Inglaterra.

14.04.2004       [3]       Escritos

Mister Bigode

Sou o Mister bigode
toco na banda dos bombeiros
vivo num autêntico pagode
sempre sem dinheiros.

9.II.2004

10.02.2004       [0]       Escritos

Drama Queen


Olha para o céu com dor
espera o seu papel liberador
aquele, o principal
com o qual, vencerá todo o mal.

09.II.2004

09.02.2004       [0]       Escritos

Cena Caricata

PRIMEIRO ACTO

A discoteca da moda, à beira rio na cidade de Lisboa. Verão. Actualidade.

Rapariga 1 - Não nos interessa saber nada sobre ela, tirando o facto de que é a primeira vez que vem a esta discoteca.

Rapariga 2 - Não há nada a dizer. Ou melhor, quem sabe tem um pouco a maia da perseguição.

Rapariga 1 em movimento. Dirige-se à Rapariga 2 e pergunta:

Olha, onde fica a casa de banho?

Rapariga 2

Não, não quero ir à casa de banho contigo!


09.02.2004       [0]       Escritos